Acontecimentos externos com grandes impactos internos

por Viviane Gago

Não quero aqui nesse texto entrar em questões religiosas, que aliás muito geralmente levam as pessoas à desgastes nos relacionamentos, a exemplo de política e de esporte, em especial do futebol.

Mas quero registrar o meu entendimento particular sobre espiritualidade, que ao meu ver consiste em acreditar em uma força maior, que pode ter qualquer nome: cosmo, natureza etc.

Acredito também em várias linhas de estudos sobre o Universo e a Humanidade, a exemplo da Antroposofia, Numerologia, Astrologia, Constelação Familiar dentre outras.

Para esse texto, também não quero focar no corona vírus em si , coisa que muita gente já está fazendo em todos os meios de comunicação possíveis, mas sim utilizar o impacto e o exemplo do Corona Vírus; para dizer que referido impacto veio do meio externo tendo uma grande e direta afetação no nosso comportamento, sentimentos, emoções , relacionamentos, rotina, que enseja inúmeras reflexões da nossa parte e sob vários aspectos.

Ou seja, é o acontecimento externo com impactos internos seja no nosso ser, na nossa forma de entender, compreender e funcionar no mundo.

Acredito firmemente de que nada em nossas vidas seja por acaso.

Acredito ainda, até por experiência própria e observação do meu entorno, que muitas vezes vivenciamos situações difíceis, situações limites, em que o sofrimento é ferramenta para gerar crescimento e evolução; lógico para quem está aberto e preparado para isso, ou seja para quem quer enxergar as coisas que estão a sua volta e aprender com isso.

Muitas das pessoas passam pela vida querendo acreditar que tudo está certo, tudo está no seu devido lugar somente porque tem uma casa, porque saem para um trabalho todos os dias para ganhar dinheiro, porque elas têm espaços de tempo com certo lazer, que o pouco convívio com a família, dado o atual desenho da sociedade, seja suficiente para as relações estarem verdadeiramente felizes e saudáveis.

Será?

O fato é que, neste período de parada forçada, muitas coisas poderão, a depender de cada um, serem observadas, avaliadas, refletidas e encaminhadas de maneira diferente.

O que realmente é bom poderá ser confirmado como bom e o que não é bom pode vir à tona, com chances de ser encaminhado de uma maneira diferente, quem sabe até de maneira mais satisfatória e feliz.

Muitos se escondem atrás de uma rotina frenética de atividades, por vezes com o foco maior no trabalho, para não enfrentarem o que realmente precisa ser enfrentado, encaminhado e solucionado.

Os que tem filhos, por vezes se escondem atrás do posicionamento de que precisam ganhar mais e mais dinheiro, para justificar e sustentar uma superficialidade no argumento que tem filhos para criar; sendo que o que os filhos mais precisam é de atenção , presença, amor e uma boa educação vinda deles , os próprios pais e não da escola ou de um prestador de serviços como por exemplo uma babá.

Nada contra as babás, inclusive entendo a relevância deste tipo de profissional na sociedade quebrada ou disfuncional que temos hoje, porém não dá para deixar dois terços da vida de um filho sob a batuta e os cuidados desse tipo de profissional, por melhor que ele ou ela seja, pois isso é transferência de responsabilidade educacional que é intransferível e é dos pais, que colocaram esse filho no mundo.

A sociedade, os relacionamentos, os negócios estão quebrados por conta de valores disfuncionais, propósitos questionáveis, ambição de dinheiro e poder desmedidos etc. Essa parada, talvez seja um momento para se refletir como consertar o que está quebrado, redesenhar negócios ruins e com maus propósitos para o individual e para o coletivo, resgatar relacionamentos em geral, sejam com amigos, amorosos, com os filhos, dentro do país e entre países.
É um momento de cair na real e de que precisamos de ajuda, de auxílio sob vários aspectos.

Cair na real de que as pessoas não se darão bem ficando nas bolhas de individualidade delas, que dinheiro, poder e posição não são e não serão suficientes para vivermos todos melhor.

Tudo que não é construído em boas bases cai, desde que o mundo é mundo.

Aliás, é inquestionável que o mundo está mudando, a exemplo das novas gerações que não estão interessadas em dinheiro, mas sim em desenvolvimento, senso de comunidade e união entre as pessoas, as pessoas se ajudando, auxiliando-se mutuamente.

Há muito tempo precisamos de um novo sistema, mais empático, menos quebrado, algo mais saudável sob todos os aspectos, com uma mentalidade diferente, com a noção de que sejamos pobres ou ricos, com grau de instrução melhor ou pior, com níveis econômicos diferentes, em realidade, somos todos iguais.

Diante de momentos desafiadores como esse que estamos vivendo, constatamos, com clareza, a vulnerabilidade, a fragilidade do ser humano.

Iniciemos a nossa cura, o auxílio, a assistência e o conserto por nós mesmos, e isso já será grande coisa.

Para ajudar na transformação do mundo em algo melhor precisamos iniciar a transformação por nós mesmos.

Concluo esse texto com a letra de uma música que achei fabulosa, trata-se da música “Me curar de mim”, de Flaira Ferro.

Desejo que assim como eu, apreciem a letra.

“Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Para me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
Dói, dói dói, despir-se assim

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei. Só sei que a busco em mim
Só sei que a busco.

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