EMPRESAS: NÃO ESTÁ NA HORA DE REALIZAREM MUDANÇAS EFETIVAS?

Nos meus atendimentos, uma das questões principais que são trazidas, mesmo em meio à pandemia do COVID, crise econômica e demissões, é no sentido de quando as pessoas precisam dar um basta ao sistema, “demitir suas empresas”  as mesmas o fazem.

 

A faixa etária das pessoas nesse contexto varia de 30 a 50 anos de idade.

 

Quanto aos jovens que apoio, na faixa de 18 a 23 anos, muitos deles dizem que não querem trabalhar em empresas e fazerem lá uma carreira por anos, mas querem se focar em algo que traga propósito, ter vivências dentro e fora do país e, em algum momento, abrir seus próprios negócios. É interessante observar que estes jovens não têm como foco comprar imóveis, carros etc, como a minha geração e as anteriores.

 

As maiores queixas para as pessoas quererem deixar seus empregos são duas: liderança ruim, em verdade, chefes ruins e relações desrespeitosas. As referidas relações desrespeitosas podem ser entre pares, entre áreas, departamentos etc.

 

Ainda, também há outros fatores para as pessoas quererem mudar e sair do emprego: quando sua saúde está sendo afetada, o clima organizacional não é bom, querem novos projetos, tem que abrir mão de seus valores, há desconexão entre o que acredita e o propósito da empresa e por aí vai.

 

A questão envolvendo chefes ruins, pois sabemos que ser líder é bem diferente de ser chefe, é relativamente fácil de compreender, porém, bastante difícil de solucionar, ainda mais dependendo da organização envolvida no cenário concreto. Há empresas que são mais difíceis serem convencidas em desligar um mau profissional que compõe o staff mais alto dela e isso acontece por diversos motivos, mas, enquanto essa decisão não chega, muitos vão sofrendo por serem gerenciados por pessoa sem habilidades para tal.

 

O  que se observa, é que um chefe que tem distorções em relação à visão do próximo (colaboradores), não têm empatia e não tem uma boa estrutura, incluindo a emocional e ele (a) muito geralmente vai fazer da equipe e do ambiente em que trabalha o seu espelho, como consequência, o que também se observa, ambos,  carreiras e ambientes, são prejudicados e até destruídos.

 

A relação com superiores sempre foi algo desafiador e, talvez, tenha sido potencializado com o home office por vários fatores, tais como: comunicação falha, má organização das tarefas, falta de reconhecimento bilateral, entre outros.

 

Por tudo isso, é de suma importância o diálogo eficiente, a escuta empática e a vontade bilateral de acertar e de trabalhar em equipe.

 

Relacionamento saudável pressupõe compreender e respeitar os que estão acima, ao lado e abaixo na estrutura organizacional.

 

Outro ponto muito importante para a conexão saudável entre colaboradores de todos os níveis é afastar-se de suposições e julgamentos e ir na direção de conhecer os fatos, reconhecendo cada um da forma que é e sua história.

 

O que vejo é, quando o descontentamento ou a dor é maior para essas pessoas do que o que elas veem de coisas positivas no sistema, inicia-se um movimento real e verdadeiro para mudar e para fazer transições.

 

Muitas vezes o desequilíbrio nas relações é tão grande, que alguns vão embora da empresa sem nada em vista, ou seja, sem ter uma outra colocação.

 

Muitos, antes de cortarem efetivamente os laços, fazem tentativas para melhorar os seus cenários, conversam com seus líderes/chefes, avaliam outras possibilidades, mas, geralmente, não abrem que estão buscando outras coisas, outros empregos ou até mesmo uma mudança profunda de vida.

 

Sabemos que as organizações/empresas visam lucro e são uma atividade organizada para a produção e/ou circulação de bens e/ou serviços, mas será que ainda não enxergamos que quem faz isso tudo acontecer somos nós? É importante salientar que, para tudo fluir bem, as pessoas de carne e osso, com emoções, precisam estar igualmente bem e em equilíbrio.

 

Sabemos que o mundo foi trabalhado e direcionado para ser competitivo e individual, porém, penso que já passou da hora das pessoas e organizações compreenderem que este lado da moeda não nos levará muito longe, por isso, não seria melhor substituir esse padrão por cooperação e atuação coletiva?

 

 

Não seria importante que, da mesma forma que os colaboradores, em todos os níveis, além de aplicar o amor, a compaixão, a compreensão e a união em seus lares, aplicassem tudo isso também em seus trabalhos, sendo as mesmas pessoas no âmbito pessoal e no profissional?

 

Assistindo “I AM- VOCÊ TEM O PODER DE MUDAR O MUNDO” (Documentário do Netflix), o qual recomendo assistirem, replico aqui algumas questões importantes para reflexão:

 

Cooperar ou dominar?

Reinos ou democracias?

A riqueza e felicidade são, de fato, sinônimos?

Para que serve a economia?

Quanto é bastante?

O que estamos fazendo? Estamos no caminho certo ou no caminho errado?

 

 

Por fim, termino este breve texto com dois pensamentos igualmente importantes:

 

“Importante pensar de maneira crítica antes de agir.” (Dalai Lama).

 

“Somos porque pertencemos”. (Desmond Tutu, arcebispo, da cidade do Cabo, África do Sul).

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