Descansar, contemplar, relaxar e acalmar

Sabemos todos que são muitas as demandas da vida, pois temos muitos papéis, que carregam consigo muitas atividades, além do impacto da tecnologia, que só tende a crescer, encurtando distâncias e alterando as dinâmicas do tempo que temos.

Caso não saibamos gerenciar isso tudo muito bem, corremos o risco de cair em cenários estressantes, que desencadeiam questões envolvendo ansiedade, pânico e outras até mais graves.

Portanto, acredito que seja mandatório em prol de uma saúde mental, eu diria até que de uma saúde integral, ou seja, a saúde que envolve corpo, mente, emoção e espírito; saber estabelecer limites e fazer paradas, para fazer um balanço da vida, refletir sobre os próximos passos, relaxar, contemplar, especialmente, a natureza e suas dinâmicas, ter insights, acalmar e revigorar.

Nessa linha, Domenico De Masi, sociólogo italiano, discorreu sobre o “Ócio Criativo”, em que explica como um tempo livre ou justo equilíbrio entre trabalho, estudo e descanso, favorece a criatividade. Com o ócio criativo, somos capazes de nos entregar e se dedicar inteiramente ao momento, extraindo o máximo disso, para desenvolver as melhores ideias.

O ócio criativo é diferente da preguiça e da procrastinação, pois as duas últimas são prejudiciais para a produtividade; já o primeiro, ao contrário, tem o objetivo de esvaziar a mente, renovar as energias e revigorar o cérebro.

Sei que todos precisamos ganhar a vida, pagar contas etc, contudo, acredito que o rumo que o planeta toma, a velocidade que se imprime às coisas, caso não sejamos nós os maiores defensores e cuidadores de nossas próprias vidas e saúde, podemos cair num abismo, num lugar ruim; sem saber se há como voltar para um rumo melhor e mais saudável.

O ritmo que imprimimos às nossas vidas, por vezes, é tão insano e automático, que, muitas vezes, não nos damos conta da rotina doentia que criamos para nós e nossas famílias. Este cenário insalubre e ruim acaba por não chegar na nossa consciência e, muito menos, ao nosso campo de compreensão e tudo isso pode ser perigoso e uma hora vir à tona, causando grande impacto e nem sempre é positivo.

Recentemente, li uma matéria sobre saúde mental no jornal, cujo título era: “Crianças Maravilhadas” (fonte: O Estado de S. Paulo de 25/12/21) e fiquei encantada com a abordagem, em relação a qual concordo e quero compartilhar alguns trechos com vocês.

A matéria inicia com o testemunho de uma pessoa contando que seu pai a acordou às duas da manhã, que a levou, mesmo resmungando, até o quintal e a colocou sentada com seus quatro irmãos, na colcha que tinha estendido para eles. Momentos depois, um raio de luz cortou o céu, depois outro e, por horas a fio, até o sol iluminar o horizonte, assistiram a dança cósmica da chuva de meteoros das Perseidas.

Perseidas ou Perséiades são uma  chuva de meteoros associada ao cometa Swift-Tuttle e são assim denominadas, devido ao ponto do céu de onde parecem vir o radiante, localizado na constelação de Perseus. As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa um rastro de meteoros (Wikipédia).

O testemunho acima aconteceu quando a referida pessoa tinha 9 anos de idade e a noite foi definida por ela como “uma maravilha”. É uma boa palavra ou expressão em português, porque, em inglês, a palavra é “Awesome”.

Esse maravilhamento é o que sentimos quando nos deparamos com algo grande, surpreendente, fora da nossa referência comum e habitual, algo que evoca uma sensação de mistério e admiração.

Dacher Keltner, psicólogo e diretor fundador do Centro de Ciência para o Bem Maior da Universidade da Califórnia, Berkeley, passou anos estudando os efeitos benéficos do maravilhamento em nosso bem estar físico, mental e emocional. Segundo ele: “o maravilhamento nos deixa mais curiosos do que críticos, nos deixa mais colaborativos, mais humildes, altruístas e dispostos a compartilhar. Sossega o ego porque você para de pensar o tempo todo em si mesmo.”

A matéria relata que o maravilhamento acalma as redes neurais do cérebro e já provou que reduz inflamação, em outras palavras, não subestime o poder dos arrepios. Também, aborda a importância de ajudar a saúde mental das crianças, no sentido de apoiá-las a ficarem maravilhadas, tendo tempo livre para brincar, tempo com a família, para viver um desenvolvimento saudável.

Como encontrarmos maravilhamento?

Passeando, saindo por aí sem objetivo, apreciando o entorno, desacelerando, observando na natureza, aprendendo com outras humanidades, dançando, na música , nas artes dentre outras coisas.

Tudo, para dizer que não é preciso estar no Grand Canyon, nem ir à Capela Sistina para ter maravilhamento, menciona a matéria. As pessoas geralmente ficam maravilhadas quando passam um tempo na natureza, olhando as estrelas do céu, o pôr do sol, a beleza da lua, ouvem ou tocam música, dançam, veem ou criam arte, refletem sobre grandes ideias, participam de rituais significativos ou desfrutam de experiências comunitárias que lhes dão a sensação de que fazem parte de algo maior que elas. Um dado interessante, é que a fonte mais comum de maravilhamento é a bondade de outras pessoas, mais precisamente, a coragem e bondade. Isso tudo melhora as emoções positivas, portanto, a saúde.

Desejo, neste ano que se inicia e nos outros que virão, que nos maravilhemos cada vez mais!

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