O caminho do meio, do equilíbrio, do somar é sempre o ideal

por Viviane Gago

APRENDAMOS COM TUDO ISSO, SÓ TEMOS A GANHAR!

Antes da pandemia eclodir aqui no Brasil, tive a oportunidade de encontrar e almoçar com um amigo querido, o qual conheço há mais de vinte anos.

Nesse almoço, ele sempre atento e agregador, sugeriu que eu tomasse contato com o livro A Alma Imoral, de autoria do rabino Nilton Bonder. Fico pensando como é valiosa a troca com pessoas que confiamos e nos agrega, ratificando ser a amizade um tesouro; agradeço a esse meu amigo que sempre me provoca com bons temas e me faz expandir rumo a uma maior tomada de consciência.

Eu, por minha vez, segui a recomendação e mergulhei na referida obra, que além de ser interessante suscita muitas reflexões. Assim, com minha cabeça fervilhando de reflexões, decidi escrever e compartilhar algumas delas. A Alma Imoral traz consigo a ideia de que para transcender é preciso transgredir; além de questionar se a moral, de fato, é instrumento de ajuda e preservação da nossa espécie. Também tive a oportunidade de assistir o filme de Silvio Tendler, Alma Imoral, baseado no livro.

No filme são entrevistadas várias pessoas, almas ditas como imorais e, segundo o filme quer nos mostrar, representam um esforço para expandir as fronteiras da nossa consciência rumo a um futuro melhor. Bem, após tomar contato, avaliar o material comentado, entendo que o tema, da forma como fora abordado, é paradoxal. Confesso que a palavra transgressão não me agrada muito, porém, vejo como importante desapegar disso e entender o significado que ela carrega.

Em uma tradução livre, transgressão significa a ação humana de atravessar, exceder, ultrapassar noções que pressupõem a existência de uma norma que estabelece e demarca limites.

Segundo o filme, transgressão é um processo que leva a novas direções, que impactam o individual e o coletivo, e duas coisas ficam comprometidas pela ausência de transgressão: qualidade de vida e possibilidade de continuidade.

Com base nesses significados que foram dados para a transgressão, entendo como importante não ficarmos entre um e outro ou mesmo tomar partido de um deles; mas somar as ideias, trocar o “ou“ pelo “e”, pois, se de um lado entendo como ruim a transgressão, que não respeita regras culturais, de educação, das tradições, dos costumes e do cotidiano, cujo alvo das mesmas é a de serem uma forma de facilitar a convivência social, até porque retratam a consciência coletiva. Por outro lado, é importante pensar que pessoas ditas como transgressoras e, ao meu ver, seriam melhor denominadas como buscadores de novas ideias, parâmetros, movimentos, projetos etc, a exemplo de Jesus, Galileu Galilei, Tiradentes, Joana D`Arc dentre muitos outros, eles todos, de fato, trouxeram e trazem muito valor ao sistema posto, que muitas vezes está até ultrapassado. Sabemos todos, que o ser humano está em um processo lento de evolução da consciência, a ponto de estarmos muitíssimo longe de nos autogovernarmos e prescindirmos de regras e leis.

Com regras, leis, governantes e líderes, o cenário que nos rodeia é ruim, sem tudo isso, inequivocamente seria muito pior, pois somos despreparados em vários sentidos.

Caso pensássemos em dispensar e renunciar regras, leis e a própria moral, viveríamos no caos, uma luta de todos contra todos para o atendimento de nossas vontades e necessidades.

Não obstante, sem dúvida, esses buscadores trazem, de fato, riquíssimas contribuições para o presente e o futuro; e devemos aprender com isso, fazendo a manutenção do que deu certo, conforme o senso comum.

Por qual motivo digo o senso comum, pois é fato que juntos somos mais! Juntos somos fortes!

Assim sendo, ao invés de se falar em transgredir para transcender, conforme preceitua Alma Imoral, os homens deveriam falar em aprender com as vivências e experiências uns dos outros, incluir tudo isso na “bagagem da humanidade” e, aí sim, transcender, conforme se aprende Teoria Integral, de Ken Wilber, ou seja, o melhor seria incluir para transcender.

O caminho do meio, do equilíbrio e do somar, evitando extremos, é sempre o melhor para todos.

Respeitar e ser respeitado, somar as ideias e conhecimentos, visando o bem próprio e do todo, deveria ser a ordem, sem radicalismos, vaidades e violência!

A humanidade chegará nesse ponto? O futuro dirá.

Espero que cheguemos na soma de esforços e não na subtração, na colaboração e cooperação e não na competição, que geralmente é quase sempre sem sentido.

Torço que mudemos nossos comportamentos para algo melhor, que nos honre e não nos envergonhe! Que tais mudanças contribuam beneficamente para todos nós, em busca do bem comum.

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