O PAI NA PERSPECTIVA DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR.

por Viviane Gago

Estudando a constelação familiar e após já termos passado pelos irmãos e pela mãe, falemos um pouco do pai.

O pai nos leva para o mundo e nos apresenta oportunidades.

Um pai e uma mãe se complementam e a concepção precisa destes dois papéis.

Segundo Bert Hellinger, dentro do sistema familiar, o homem e a mulher têm prioridades iguais, eles criam a família juntos e eles são equivalentes.

Em relação aos filhos, o homem e a mulher são igualmente grandes; porém é dentro da mãe que começa a vida. Dentro dela somos concebidos, dentro dela nós crescemos e com ela experienciamos a unidade, até que nascemos.

O que cabe ao pai?

Bert Hellinger  ensina que somente na mão do pai a criança ganha um caminho para o mundo.

O amor do pai representa o espírito e seu olhar vai para a amplitude. Enquanto a mãe se move dentro de uma área limitada, o pai nos leva para além desses limites para uma amplitude diferente.

Para melhor compreender o que é mencionado no parágrafo acima, imaginem os pais em um passeio com os filhos na praia. A mãe, preocupada e cuidadosa fala para o filho: “cuidado com o mar”, “cuidado com o sol” , “filho (a) você quer comer ou beber algo?”; e assim realiza com zelo o seu trabalho de cuidar dos filhos. Por sua vez, o pai , ao chegar em um ambiente assim verifica os possíveis riscos e se coloca de uma forma a preservar o filho longe deste lugar perigoso; porém atento, o deixa livre para explorar.

Essa liberdade é necessária para que o filho possa perceber o mundo, e mais tarde caminhar para a vida de forma completa.

Por isso, na perspectiva da constelação familiar,  o progresso vem principalmente do pai. Quando a mãe quer manter os filhos longe do pai, ela os mantém longe do progresso. O movimento vai através da mãe para o pai e através do pai para o mundo ; e assim o filho fica completo.

Não aceitar ao pai é não aceitar a sua realidade, o que já compõe você. Nós como filhos, temos dificuldades de encarar os pais como os seres humanos que são, inclusive já mencionei isso quando falei da mãe.

Alguns imaginam e esperam deles coisas que vão além do limite do justo e do possível.

O pai, dentro do sistema familiar, tem o papel da ordem, da disciplina e da autoridade. No mundo, temos uma dificuldade de compreensão desses papéis.

Quando este assunto, esses papéis entram em nossa casa, na figura de um homem do qual esperamos somente o amor idealizado na nossa mente, o conflito pode se instalar.

Um bom caminho de volta aos braços do pai, de uma conciliação  é ver o que verdadeiramente o move. O Amor escondido em atos de humanidade. É dar a ele o tamanho devido, não um tamanho imaginário ou cheio de ilusão.

Bert Hellinger nos instrui a deixar com os pais o que pertence ao destino deles, com tudo o que faz parte e tudo que faz falta.

Também menciona que é necessário reconhecê-los como pessoas normais e comuns e que vieram de seus próprios emaranhamentos.

Aqui talvez valha olhar para si próprio e as dificuldades que não conseguimos resolver. Se estamos neste caminho de vida, em algum momento podemos nos tornar pai e mãe, e carregaremos para esta experiência o que nos compõe hoje, com todas as dores e amores.

Nossos pais estiveram nesta mesma posição, por vezes influenciados por algo que não conseguiram escapar.

O filho que se alinha ao pai e o tem em seu coração é mais apto e leve para seguir adiante a vida e rumo ao progresso.

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