Prestamos atenção e ouvimos a nossa intuição e a nossa alma?

Muitos de nós estão vivendo no piloto automático, num formato de comportamento de extremos, no sentido de rotular quaisquer coisas em certo ou errado, bom ou ruim; melhor explicando, há pessoas que só enxergam o branco ou o preto, inexistindo para elas, por exemplo, o cinza e seus vários tons.

As polaridades político-ideológicas de direita ou esquerda e a violência emergida pelos diferentes times de futebol também retratam muito bem o formato comportamental acima referenciado.

Outro formato comportamental muito em voga é o meritocrático, em que cada um é responsável por si próprio e os melhores terão sucesso e irão prosperar, isso tudo com grandes doses de competitividade e comparações.

A esses formatos comportamentais, adicione-se o fato de existirem várias obrigações que as pessoas gerenciam na vida cotidiana, a exemplo mas não só da manutenção de casa, trabalho; para alguns, filhos, casamento, cuidado com os pais idosos etc.

Questiono se com o cenário acima exposto as pessoas conseguem se ouvir, se compreender, estabelecer conexão com o coração sem ficar a maior parte do tempo no racional? Será que a pandemia teve e tem ainda seu papel de aquietar realmente as pessoas, de maneira a propiciar que as mesmas entrem em contato com sua intuição? Entrar em contato com a sua alma para seguir a caminhada da vida de maneira mais estruturada, forte e potente?

Não tenho a menor dúvida que quem se conhece bem, aprendeu a acessar a intuição e a alma, caminha na vida mais forte, não se perde em emoções e sentimentos ruins, afeta-se muito menos com fatores externos e são mais seguros e otimistas; além de preocupar-se com as questões da vida no momento que realmente precisam se preocupar, evitando desgastes e sofrimentos desnecessários e antes da hora.

Neste contexto, destaco os preciosos ensinamentos da professora Lúcia Helena Galvão (Nova Acrópole) que diferencia de maneira clara emoção de sentimento que são dois fenômenos afetivos e ainda discorre também sobre intuição.

Segundo a professora “ emoção é algo pontual, superficial, duração breve, tratando-se de uma resposta a determinado estímulo, é impulsiva, não é transformadora e não vai muito adiante”. E nos dá como exemplo: emoção é aquela que desperta na cena romântica de um filme no cinema e morre na praça de alimentação.

 Já o sentimento é algo profundo, mais longo e capaz de nos impulsionar significativamente em direção à nossa condição humana. É construído conscientemente por meio de um ato de vontade. Quando a consciência participa da construção de algo assim como o sentimento, esse é muito mais duradouro e longevo.

 Tudo isso, emoções e sentimentos formam nossa personalidade.

 E o que é a intuição? Quando controlamos as nossas emoções, os sentimentos, pensamentos; as desordens da nossa personalidade e temos um pouco de silêncio, serenidade para termos as condições necessárias para conseguirmos ouvir uma voz, um sussurro em que temos a percepção do que é verdadeiro dentro de nós. Trata-se de uma voz muito suave, sutil, uma percepção profunda sobre a essência de todas as coisas, inclusive a nossa própria.

Ouvir a intuição e a alma demandam termos equilíbrio, calma, paz interior e acima de tudo vontade de se conhecer profundamente, sermos nossos melhores amigos, nos cuidando de verdade. Exige também termos consciência da importância da humildade.

Humildade vem do grego “HUMUS” , que significa “terra”, ou seja tudo o que está perto do solo. E também aquele/aquilo que fica no chão.

Bert Hellinger traz uma definição de humildade muito bonita “ E o que é humildade? A mesma coisa: Reconheço que todos, por mais diferentes que possam ser, assemelham-se a mim diante de algo maior. Humildade significa reconhecer que se é apenas uma pequena parte entre uma multiplicidade e que a plenitude só é alcançada quando tudo o que é diferente puder coexistir de maneira equivalente e ser reconhecido como igualmente válido”.

 E diz ainda “Amor significa: reconheço que todos, tal como são, assemelham-se a mim diante de algo maior. Reconheço que todos, por mais diferentes que possam ser, assemelham-se a mim diante de algo maior. Isso é amor e a partir disso tudo pode se desenvolver”.

Inequívoco dizer que existe sim algo maior que todos nós e chamamos esse algo maior de muitas coisas: Deus, Luzes do Bem, dentre outros; ser humilde, ter amor por nós mesmos e pelo próximo também propicia o olhar mais realista e ao mesmo tempo acolhedor em relação a nós e tudo o que nos rodeia abrindo possibilidades de nos conhecermos, nos ouvirmos melhor no decorrer da vida, buscando significados, que para nós poderão fazer toda a diferença positiva

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