Reflexões de final de ano; em meio a períodos desafiadores.

Lembro bem de um livro que surgiu em 1994, ano que conclui a faculdade de Direito, “A Era dos Extremos”, em que o historiador Eric Hobsbawm analisa o período compreendido entre 1914, início da Primeira Guerra, e 1991, ano da queda da União Soviética e o fim dos regimes socialistas do Leste Europeu. (Hobsbawm, Eric. A Era dos Extremos- O Breve Século XX (1914-1991) São Paulo: Companhia das Letras, 1995).

No século XXI, aproveitando o raciocínio do referido historiador, podemos dizer que estamos na “Era das Polaridades”, vez que para quem quer e pode observar, verifica-se que as pessoas, nos vários segmentos sociais, estão debatendo vários temas de maneira enérgica e dura para defesa ferrenha de seus pontos de vista sem olhar para o ponto de vista do outro, criando atmosferas desarmoniosas, quebrando relações, aliás como se as pessoas fossem descartáveis.

Este cenário, o qual estou chamando, cenário de polaridade, onde as pessoas não conseguem enxergar que nenhum dos lados conta a história toda e que todo o lado têm aspectos favoráveis e desfavoráveis, onde o caminho deveria ser o do meio, ou seja, aproveitar o que os argumentos emergidos têm de bom e fluir, ir em frente construindo coisas boas, as pessoas ao invés disso ficam no ou ( direita ou esquerda, bonito ou feio, bem ou mal etc) e deixam de lado o e; que seria o comportamento, a conduta de aprendermos uns com os outros, premiando a diversidade de opiniões para somar, acrescentar e transformar tudo isso em ações positivas individuais e coletivas.

Falando em primeira pessoa, poderia terminar este ano com uma mensagem extremamente positiva por conta dos acontecimentos favoráveis da minha vida, como o fato de ter saído com plena saúde de um cenário cirúrgico tenso, a publicação de dois livros significativos um seguidamente ao outro “A Biografia de uma pessoa comum” e “Olhares para os Sistemas”, tratando-se de dois trabalhos lindos e de muito propósito; porém saio do ano de 2022 com certa tristeza e decepção. Apesar dos sentimentos não tão bons mencionados, minha fé e esperança nas pessoas estão cada vez mais fortes e por isso aposto naquelas pessoas, que assim como eu, empenhar-se-ão em construir cenários melhores e que saberão dar valor ao que, de fato, tem valor.

Por fim, desejo que as pessoas não se afastem do amor, tenham muita luz, sabedoria e paz para saber se conduzir, conduzir suas famílias e; que 2023 seja um ano melhor que os últimos que vivenciamos, e que tenhamos consciência que isto tudo depende muito de nós.

Lembremos que há coisas que vão muito além do pragmatismo, do egocentrismo e do utilitarismo. Não nos afastemos da beleza da amizade, do amor, da gentileza e da lealdade.

Boas festas à todos, com muita saúde!

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